4 de fevereiro de 2015

Sobre corações cheios, medos e amanhãs





Existe um ditado que diz: “ A boca fala do que o coração está cheio”. Antes mesmo de ser um ditado popular, essa frase é uma passagem bíblica e, assim como muitas outras, foi escrita com sabedoria. Admiro, sem dúvidas. E eu seria uma pessoa muito relapsa, no mínimo, se eu não parasse uns minutinhos para pensar a respeito.
Afinal, do que o meu coração está cheio?

    O coração, colocando em uma conotação bem ampla, se resume a emoções e sentimentos, que para serem  decodificados pelo seu cérebro e sentidos na pele precisam ser vivenciados, ou melhor, estimulados pelos seus inestimáveis cinco (ou seis, dependendo do que você acredita) sentidos. O que vemos na TV, ouvimos no rádio e verificamos  fuçando em cada rede social e mídia... tudo é armazenado na sua máquina interna, transferido para a massa cinzenta que nos faz pensar e revigorado pelas emoções. Até aí, nenhuma novidade.  

   E se pudéssemos colocar toda essa informação em pastas e armários? Como separaríamos tudo? Quais seriam nossas prioridades? O que nos deixaria tão cheios a ponto de querermos expulsar de dentro de nós? Eu não sei como você tem enchido o seu, afinal. Não sei como você lida com as coisas que vê e ouve por aí. Por isso, focarei no meu músculo pulsador de vida, que anda muito bem em alguns aspectos, mas capengando em muitos outros.

     De forma breve, vou contar pra você uma coisa. Meu coração está cheio de medo. E confesso que no momento que deixei escapar essa palavrinha terrível – medo-, senti mais uma dorzinha nele. Como uma garantia da veracidade do fato.

     Eu tenho medo. Tenho medo da seca que vejo acontecendo no maior pólo econômico do nosso país. Tenho medo porque rios estão morrendo e não se fala em proteção do meio ambiente, apenas em construções monstruosas que não resolverão coisa alguma. Tenho medo da violência que atinge as ruas de minha cidade. Tenho medo das notícias de corrupção que se tornaram tão banais. Tenho medo porque a Política real como meio de alcance do bem comum foi exaurida por ladrões de colarinho branco. Tenho medo que atos solidários se tornem escassos e a educação mais básica do “Bom dia”, “Obrigado” e “Com licença” seja perdida. Tenho medo porque pessoas morrem todos os dias do outro lado do mundo e muitos torcem o nariz, dizem “ tanto faz” e se iludem por não achar que isso não vai chegar a seu país, sua cidade, sua casa, sua porta. 
     
    Tenho medo porque familiares ludibriam e enganam seus idosos, se apossam de aposentadorias que não são suas. Tenho medo porque meu país não reconhece que é preciso pensar no futuro, antes de ser considerado o país do futuro. Tenho medo quando bons professores  não são valorizados e quando maus professores são os primeiros a  resvalar preconceitos e não desmitificá-los. Tenho medo quando pais ao invés de educar pela fala, espancam e torturam filhos. Tenho medo quando filhos desrespeitam seus pais e acham que o mundo é seu palco. Tenho medo quando religiões exaltam suas doutrinas, esquecem do significado verdadeiro da caridade, esquecem do ecumenismo e de que o ser cristão vale mais que a quantidade de pessoas no templo, missa, centro ou culto. Tenho medo porque jovens se curvam a telas de diversos tamanhos (TV, smartphones e tablets) e são alheios a tudo o que acontece ao seu redor. Tenho medo porque muitos esqueceram do que é ser humano, do significado do  conviver e prezar pelo outro. 
     Tenho medo pelo que será do futuro que destruímos desde agora.

      Isso está no meu coração: medo. Simples assim. Uma palavra curta e grossa, que me assombra faz um bom tempo. Tenho medo. Quem não tem, mesmo? Mas, em oposição a todas essas sombras... que tal um pouco de luz? Soará piegas. Clichê mesmo. Mas gosto dessa parte - aquela em que viramos a página e pensamos em como mudar tudo isso. Sou uma pessoa de fé, e ela como combustível da esperança, me faz andar passo ante passo. Não estou dizendo que a solução é apenas se trancar em um quarto e se prostrar no chão com orações. Longe disso.  

     Por isso, anote mais uma coisa, meu caro:  A fé move montanhas, mas o exemplo arrasta. A solução não está no isolamento, mas na mudança de atitude, de atos, de propósitos. Não distorça minhas palavras. A fé é importante para nos manter sãos. Ela está no acreditar na mudança.Um passo de cada vez. Comece por si. Reveja seus conceitos. Reveja suas prioridades. Veja se sem as outras pessoas o seu umbigo continua sendo o mais importante. Faça e seja a diferença. Para o que virá. E para o nosso amanhã.

       Essa é a minha resposta. 
       Sobre o que no momento, deixei transbordar.
       Mas e quanto a você? Do que o seu coração está cheio? 
       Pense nisso.


4 comentários:

  1. Do que meu coração está cheio? Está cheio de um pouco de tudo... Primeiro: também tenho medo, essas palavras que você escreveu de certo sinto reciprocidade, mas também meu coração está cheio de decepções (acho que todos tem um pouco disso), cheio de ansiedade, alegrias, sentimentos, músicas (amo, MPB de preferência rsrs); cheio de pessoas, sim de pessoas, de pessoas que foram, que ficaram, que estão chegando...
    É, por ser um órgão tão pequeno cabe bastante coisa, em?!
    É isso, um pouco do que consegui "explicar" do que meu coração está cheio...
    Li suas postagens, quer saber minha opinião? Estou amando, de verdade...

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  2. Oi Karina!
    Obrigada por compartilhar um pouco de si aqui no blog. Adorei seu comentário! E obrigada por acompanhar :)

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  3. De nada Ana Clara!
    Vou está aqui lendo sempre seu blog, acompanhando um pouco de seus escritos/descrições...
    Qualquer coisa posso compartilhar algo com vc? ^_^

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    1. Claro! Fique à vontade para compartilhar o que desejar!
      Sugestões e críticas são super bem-vindas e apenas contribuem para
      que este espaço fique mais aconchegante para você e outros que me acompanham. Qualquer coisa, você tbm pode me encontrar nas redes sociais.

      [:)

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